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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Queda de árvores em Curitiba: de que maneiras a ação humana contribui (e muito!) para o problema?

Olá pessoal,

Há poucos dias, mais uma vez, a chuva forte, acompanhada de vento, derrubou inúmeras árvores em vários bairros de Curitiba, deixando as pessoas sem luz, o tráfego interditado, além de danos materiais que com certeza causaram. Na sequência, vieram notícias em diversos veículos de comunicação, os quais, em 100% dos casos, ou quase isso, passaram informações de que a natureza, em “mais um dia de fúria”, acabou causando esses acidentes.



aqui, a princípio, a queda causou somente danos materiais
e falta de luz. mas poderia ter sido pior, caindo em cima de alguém!


Mas espera aí: a gente sabe que os ventos, dependendo da velocidade, são capazes de verdadeiras catástrofes. Porém as árvores, as quais são feitas para aguentarem esse tipo de situação, se estivessem vivendo em boas condições, sem uma agressão aqui e ali, cairiam assim, nessa quantidade? É claro que não! Então resolvemos falar sobre isso, já que nos parece tão fácil tratar a situação como inevitável, sendo que algumas atitudes, se levadas em consideração, poderiam diminuir consideravelmente o problema.

Em primeiro lugar, árvores com raízes doentes são muito mais suscetíveis à queda. “Alguns tipos de árvores, como a Tipuana Tipu e Caesalpinia Ferrea (pau-ferro), têm as raízes sufocadas pelo cimento ou asfalto da rua. Com isso ficam mais vulneráveis, já que as substâncias tóxicas podem matar parte da base. Por isso é fundamental planejar bem qual espécie será plantada na calçada e tomar cuidado para não prejudicar a raiz”, afirma o biólogo, Marcos Buckeridge, em entrevista para o portal Catraca Livre. Matéria completa aqui: https://catracalivre.com.br/geral/sustentavel/indicacao/entenda-porque-as-arvores-caem-e-como-evitar-esse-problema/

É bem possível que esse seja o caso! pelo porte da árvore dá para imaginar
o tamanho de sua raiz. Possivelmente uma parte dela estava sufocada!


Prefeitura de Curitiba, que tipos de cuidados são tomados na hora de plantar árvores nas calçadas? Há um estudo de cada espécie antes do plantio? Ou ainda, há algum tipo de conscientização e educação da população nesse sentido? Se houvesse, casos como o de uma “cidadã”, que massacrou (na verdade pagou para massacrar) uma raiz em plena luz do dia, sem a menor preocupação, não aconteceriam tanto. Confiram nosso último post a respeito do assunto, e podem se indignar tanto quanto nós: http://www.vandaloverde.com.br/2017/03/arvore-nao-e-poste-corte-suas-raizes-e.html  

Árvores não são postes!  

Além disso, não só raízes doentes são as responsáveis por possíveis quedas. Podas drásticas, ou mal feitas, também são extremamente agressivas para as árvores, podendo interferir em seu equilíbrio ou trazerem doenças,  o que as tornam mais vulneráveis. Falamos algumas vezes sobre o assunto aqui. Confiram mais informações nesse post: http://www.vandaloverde.com.br/2012/07/denuncia-do-vandalo-verde.html

Essa árvore não caiu por inteiro, mas, caso a sua poda tenha sido malfeita (o que não é difícil de acontecer), o próximo vento forte pode ser fatal 


O caso é que a Prefeitura faz vista grossa e parece não se incomodar com a situação. São tantos os casos em Curitiba diariamente, e a gente fica sabendo de algum tipo de punição? Nós pelo menos, não! E, para piorar, além de deixarem essa crueldade acontecer livremente, também não observamos técnicos fazendo análise de árvores que já estão condenadas e que de alguma forma podem oferecer perigo. Afinal, depois os meios de comunicação colocam a culpa somente no vento e na chuva. Fácil, não?

“Deve-se investir em diagnóstico, cadastro e avaliação das árvores. A primeira medida é ter um sistema de informação geográfica e contratar equipes para avaliá-las individualmente e abastecer o sistema com diagnósticos visuais. Após essa etapa, as piores árvores devem ser substituídas e as árvores com risco devem ser monitoradas por meio de equipamentos que mensuram ocos e problemas de raízes. A árvore é um ser. Ela tem que ser examinada periodicamente. Dá para fazer o diagnóstico, com avaliação visual, passando de carro pelas ruas a 40 km/h. Quando se verifica um erro na árvore, aí entra a avaliação técnica, com equipamentos de última geração, que identificam as falhas", afirma o agrônomo, Demóstenes Ferreira da Silva Filho, em matéria para o UOL.

De acordo com ele, falta conhecimento sobre as árvores, e os cidadãos podem e devem participar mais do trabalho de prevenção. "Há defeitos clássicos. Seria fácil a comunidade identificar visualmente." 

como as pessoas não estão preocupadas com a saúde das árvores,
pois não foram acostumadas a isso, acabam não notando algum tipo de problema ou doença. A consequência a gente pode ver!


O caso é esse: desinteresse da Prefeitura de Curitiba e desinteresse do cidadão, o qual, muitas vezes, por total falta de conhecimento, nem pensa sobre o assunto, e as consequências assustadores aparecendo a toda hora. E a tendência é piorar, pois sem árvores, além do vento se tornar ainda mais devastador, todo o meio ambiente fica desregulado.

Até quando viveremos assim, colocando a culpa da natureza e nos ausentando do problema? Uma árvore precisará cair na cabeça de quantos para que alguma coisa seja feita?

Por sorte aqui, pelo jeito, não houve acidentes materiais e nem, o que seria pior, a queda dessa árvore em cima de alguém, como uma criança ou idoso, por exemplo. Mas essa não foi a primeira e nem a última chuva com vento forte em Curitiba. Como serão as próximas?


E assim vamos seguindo. Preocupados com os rumos que as coisas estão tomando...

Até logo!

*crédito das fotos: Gazeta do Povo e Tribuna do Paraná