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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Porque os gigantes caem

Os episódios de queda de árvores, como os que ocorreram no sábado (08/12/12), trazem sempre muitos transtornos e, também, desagradáveis prejuízos.

Com isso, a população se sente ameaçada e, inclusive, temendo novas situações de quedas, passa a desejar o corte e a retirada de todas as árvores que estejam próximas.

O que muitos não sabem é que uma árvore, embora seja forte e preparada para grandes adversidades, enfraquece com a ação predatória do homem. Como consequência disso, temos inúmeros casos de quedas em dia de chuva ou de ventos fortes.

Os motivos que causam a desestabilização de uma árvore ou a quebra do seu tronco estão diretamente ligados aos maus tratos sofridos ao longo dos anos.

O corte de parte da raiz da árvore para a construção e alinhamento de calçadas, por exemplo, é realizado com frequência em toda a cidade.  Porém, esse ato mal planejado, compromete toda a estrutura da base da árvore, afetando diretamente o seu equilíbrio e, no caso de uma chuva muito forte, ela poderá ceder e cair.

Outras práticas que têm forte impacto negativo na longevidade e saúde das árvores são as podas drásticas e os cortes indiscriminados de galhos vivos. Os ferimentos causados por estes atos não conseguem cicatrizar rapidamente e, por isso, formam uma grande porta de entrada para pragas e doenças. Comprometida pela contaminação, a árvore enfraquece. Como resultado, o tronco e os galhos podem se quebrar, derrubando todo o restante.

Quando a poda é feita de forma correta, ela auxilia na manutenção da saúde da árvore, pois ela irá se restituir e bloquear a entrada de pragas. Porém, quando os cortes são feitos de forma exagerada, frequente e errada, eliminando galhos vivos, os riscos de doença e de enfraquecimento são certos.

É como quando nós, seres humanos, cortamos o cabelo ou as unhas. Essa prática nos auxilia de forma saudável e necessária. Mas se cortarmos um dedo, um braço, certamente iremos comprometer nossa saúde de forma irreversível, além de abrir portas para contaminações.

Sabemos que algumas árvores, mesmo saudáveis, caem ou se quebram durante uma chuva forte. Isso se deve ao fato de que, muitas vezes, elas estão sozinhas, sem nenhuma outra árvore ou barreira ao seu lado para diminuir a ação direta do vento. A força delas muitas vezes está no coletivo e não em um único indivíduo.

Ainda que os episódios de queda tenham sido bastante graves em alguns casos, isso não é motivo para querer a retirada de toda e qualquer árvore que esteja próxima a uma residência. Assim como os postes, os muros, as placas de sinalização e os semáforos também apresentam quedas e a população não pensa em retirá-los por considerá-los necessários para a cidade, o mesmo pensamento deve-se ter com as árvores.

A população precisa fazer a sua parte na conservação e no cuidado das espécies e, dessa forma, reconhecer que as árvores não são as vilãs de tristes episódios como o de sábado (08/12/12). Elas são apenas vítimas que, depois de tanto sofrimento, faleceram.

Fontes:
Manual de Poda de Espécies Arbóreas Florestais - Prof. Dr. Rudi Arno Seitz
Verdes Urbanos e Rurais - Mozart Pereira Soares
Arborização urbana e conforto ambiental - Miguel Aloysio Sattler






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