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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O que é progredir?

Os últimos dias foram marcados por tristes episódios contra a natureza e a memória de Curitiba. Em nome do Progresso, cerca de 60 árvores foram cortadas no bairro Jardim das Américas e um bosque de mata nativa no Bom Retiro está ameaçado. 
Segundo o dicionário Michaelis, a palavra Progresso pode ser definida como “transformação gradual que vai do bom para o melhor”. Será que realmente a Cidade está caminhando do bom para o melhor? Em poucas linhas, vamos tentar descobrir.
Com o argumento de alargar a Rua Marechal Cardoso Junior para melhorar o trânsito da região do Jardim das Américas, aproximadamente 60 árvores foram cortadas. Espécies saudáveis e plantadas há mais de duas e três décadas foram ao chão, sem chance de defesa.
O bairro Jardim das Américas já passou por uma grande obra, especificamente na rua Coronel Francisco H. dos Santos, que, agora, dá acesso ao viaduto estaiado. A antiga obra para a duplicação de pistas garantia a melhora do fluxo de veículos e foi concluída em 2008. Passados quatro anos, todo o investimento realizado não está sendo mais efetivo para o atual trânsito da região.
Isso nos leva a crer que as 60 árvores cortadas pagaram com as suas próprias vidas uma obra que, tão logo, será ineficaz e obsoleta. Ainda que ruas sejam alargadas, pontes sejam erguidas e pistas sejam multiplicadas, o trânsito será congestionado e caótico se o número de veículos continuar aumentando a cada ano.
A moradora do bairro Jardim das Américas, Ana Deliberador entrou em contato pelo blog Vândalo Verde para fazer esta denúncia. Ela contou que os moradores foram à prefeitura, fizeram abaixo assinado, mas nada mudou. Ela ainda apontou outro grave problema: qual o destino das toneladas de madeira gerada pelas árvores cortadas? Também não sabemos.
Ainda visando uma interpretação distorcida da palavra Progresso, o bosque de mata nativa do antigo endereço do Hospital Psiquiátrico Bom Retiro também está ameaçado. Agora, sob a responsabilidade de uma empresa particular, ele corre riscos em nome de um projeto que ainda não foi apresentado à comunidade.  
Os moradores do bairro Bom Retiro se mobilizaram e entraram em contato com o Vândalo Verde em outubro, quando a prefeitura chegou a embargar a obra para analisar o caso. Porém, no início de dezembro o Hospital veio abaixo, levando parte da história e da identidade da região.
Fica a pergunta: isto é progresso?
Infelizmente, quando todos se certificarem que não é, poderá ser tarde demais.
Vale a pena conferir: http://www.gazetadopovo.com.br/blog/irevirdebike/?id=1326783&tit=o-medico-e-o-monstro-que-nao-gostava-de-arvores


Cortes das árvores no bairro Jardim das Américas - Foto: Google (antes) e Ana Deliberador (depois)


Demolição do Hospital Bom Retiro - Foto: Gazeta do Povo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Porque os gigantes caem

Os episódios de queda de árvores, como os que ocorreram no sábado (08/12/12), trazem sempre muitos transtornos e, também, desagradáveis prejuízos.

Com isso, a população se sente ameaçada e, inclusive, temendo novas situações de quedas, passa a desejar o corte e a retirada de todas as árvores que estejam próximas.

O que muitos não sabem é que uma árvore, embora seja forte e preparada para grandes adversidades, enfraquece com a ação predatória do homem. Como consequência disso, temos inúmeros casos de quedas em dia de chuva ou de ventos fortes.

Os motivos que causam a desestabilização de uma árvore ou a quebra do seu tronco estão diretamente ligados aos maus tratos sofridos ao longo dos anos.

O corte de parte da raiz da árvore para a construção e alinhamento de calçadas, por exemplo, é realizado com frequência em toda a cidade.  Porém, esse ato mal planejado, compromete toda a estrutura da base da árvore, afetando diretamente o seu equilíbrio e, no caso de uma chuva muito forte, ela poderá ceder e cair.

Outras práticas que têm forte impacto negativo na longevidade e saúde das árvores são as podas drásticas e os cortes indiscriminados de galhos vivos. Os ferimentos causados por estes atos não conseguem cicatrizar rapidamente e, por isso, formam uma grande porta de entrada para pragas e doenças. Comprometida pela contaminação, a árvore enfraquece. Como resultado, o tronco e os galhos podem se quebrar, derrubando todo o restante.

Quando a poda é feita de forma correta, ela auxilia na manutenção da saúde da árvore, pois ela irá se restituir e bloquear a entrada de pragas. Porém, quando os cortes são feitos de forma exagerada, frequente e errada, eliminando galhos vivos, os riscos de doença e de enfraquecimento são certos.

É como quando nós, seres humanos, cortamos o cabelo ou as unhas. Essa prática nos auxilia de forma saudável e necessária. Mas se cortarmos um dedo, um braço, certamente iremos comprometer nossa saúde de forma irreversível, além de abrir portas para contaminações.

Sabemos que algumas árvores, mesmo saudáveis, caem ou se quebram durante uma chuva forte. Isso se deve ao fato de que, muitas vezes, elas estão sozinhas, sem nenhuma outra árvore ou barreira ao seu lado para diminuir a ação direta do vento. A força delas muitas vezes está no coletivo e não em um único indivíduo.

Ainda que os episódios de queda tenham sido bastante graves em alguns casos, isso não é motivo para querer a retirada de toda e qualquer árvore que esteja próxima a uma residência. Assim como os postes, os muros, as placas de sinalização e os semáforos também apresentam quedas e a população não pensa em retirá-los por considerá-los necessários para a cidade, o mesmo pensamento deve-se ter com as árvores.

A população precisa fazer a sua parte na conservação e no cuidado das espécies e, dessa forma, reconhecer que as árvores não são as vilãs de tristes episódios como o de sábado (08/12/12). Elas são apenas vítimas que, depois de tanto sofrimento, faleceram.

Fontes:
Manual de Poda de Espécies Arbóreas Florestais - Prof. Dr. Rudi Arno Seitz
Verdes Urbanos e Rurais - Mozart Pereira Soares
Arborização urbana e conforto ambiental - Miguel Aloysio Sattler






sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Morte anunciada


Árvores que são podadas drasticamente podem morrer

Como já relatamos nos posts anteriores, as podas drásticas e os cortes injustificados de árvores os entristecem muito. O pior é que, infelizmente, encontramos esses lamentáveis casos por toda a cidade.


Dessa vez, identificamos duas árvores totalmente podadas na rua Alberico Flores Bueno, no bairro Atuba. Conforme imagem do Google Street, em junho de 2011 as árvores estavam com a copa que, embora sem folhas, aparentava estar saudável.

Já o atual cenário, registrado neste mês, mostra apenas os troncos. O restante foi retirado sem nenhum tipo de aviso público, sem nenhuma comprovação dos motivos.

Embora seja um processo bastante delicado e, em alguns casos, irreversível, torcemos pela recuperação e sobrevivência da árvore. Mesmo assim, não podemos deixar de registrar os riscos que uma poda drástica pode trazer.

Na rua Canadá, no bairro Boa Vista, está o resultado da falta de consciência de quem pratica e apoia os atos contra a arborização. Depois de podas seguidas, a árvore não resistiu e morreu. E embora estejamos indignados com isso, certamente alguém está comemorando.

Nossa dúvida é: será a falta de informação a causadora de podas drásticas? Ou será que o real motivo é a intenção de matar a árvore lentamente, sem gerar suspeitas?

Ainda não sabemos a resposta.

Nº do protocolo da solicitação de informação na Central 156 da Prefeitura de Curitiba - 000207506i

Árvores antes da poda

Árvores depois da poda

Árvore morta na Rua Canadá

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sem árvores e sem explicações

Infelizmente, mais uma vez, estamos tristes e revoltados com a quantidade de cortes de árvores em Curitiba. Dessa vez, encontramos um terreno no bairro Cabral que, conforme a foto abaixo, era bastante arborizado. Porém, nos últimos meses, as árvores começaram a “sumir” e as que ainda restam estão drasticamente podadas.

Outro fato que também despertou nossa desconfiança foi o “sumiço” de uma árvore na rua Carlota Straube, no bairro Boa Vista. Dela, restou apenas a raiz que, inexplicavelmente, foi arrancada e deixada exposta sobre a grama.

Além dos inúmeros cortes que percebemos pela Cidade, o que também nos intriga é que não sabemos se tais atos estão sendo feitos de acordo com a lei. Não há nenhum tipo de aviso ou informação que esclareça o que aconteceu nesses dois locais e que explique quais foram os motivos apresentados para o corte das árvores.

É possível que o cidadão cumpra seu dever e ajude o município na fiscalização de atos irregulares se as informações não são repassadas?

Como teremos um comprovante da autorização de tais cortes se todas as vezes em que abrimos um chamado no site da prefeitura não recebemos retorno a tempo de tomar atitude caso estejam agindo de forma irregular?

Lamentavelmente, padecemos não só pela crueldade no corte de árvores, mas, também, pela frequente e constante falta de informação.

Protocolos dos chamados realizados na Central 156 da Prefeitura de Curitiba.
000206734i - Terreno no bairro Cabral
000205998i - Árvore da Rua Carlota Straube


Terreno no bairro Cabral antes dos cortes - abril de 2011

Terreno do bairro Cabral antes dos cortes. Vista aérea

Terreno no bairro Cabral depois dos cortes - novembro de 2012

Vista aérea do terreno depois dos cortes - novembro de 2012

Árvore da Rua Carlota Straube - em junho de 2011

Árvore da Rua Carlota Straube - em novembro de 2012

A pergunta é: onde estão essas árvores?